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Sustentabilidade: os diferentes jeitos de ajudar o meio ambiente sem deixar de cair na folia

Durante o Carnaval no ano passado, a Comlurb recolheu 1.076 toneladas de resíduos entre os dias 9 e 18 de fevereiro, nos blocos, bailes e festas de rua, Sambódromo, Intendente Magalhães (palco dos desfiles das escolas de acesso e agremiações) e entornos. Neste ano, desde o início da Operação Carnaval, no dia 16, a Comlurb já removeu 121,7 toneladas de resíduos dos blocos de rua. A menos de uma semana da folia, não faltam ideias para fazer dessa festa um evento mais sustentável.

Em entrevista ao Destak, a diretora de conteúdo do Menos1Lixo, Marina Marcucci, reuniu quatro dicas de como os foliões podem ser mais conscientes.

"A primeira dica é levar um copo para os bloquinhos, seja o copo retrátil de silicone do Menos 1 Lixo ou qualquer outro copo ecológico de plástico durável. Hoje em dia tem um monte de cordinha bacana que compõe a fantasia", diz. A medida evita o uso de copos descartáveis e de canudos, lembrando que os de material plástico estão proibidos no Rio desde julho do ano passado.

"Usar latinha se for beber. A lata tem um percentual de reciclagem altíssimo no Brasil. A gente recicla quase 100% das latas. Então é bastante consciente usar uma lata em vez de uma long neck", diz Marina. Segundo a Abralatas (Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio), em 2017, o índice de reciclagem de latas de alumínio para bebidas no Brasil era de 97,3%.

Marina também indica que o folião não compre uma fantasia. "A gente sempre pode usar a criatividade, fazer pintura, além de usar as roupas e fantasias que já temos", explica. "Podemos botar a criatividade para jogo para fazer os adereços em vez de comprar mais uma fantasia que provavelmente vai para o lixo no próximo carnaval", diz.

A quarta dica é usar glitter biodegradável. "A gente tem um problema muito sério com as purpurinas tradicionais, porque elas são plásticos, e como são muito pequeninhas, são microplásticos, e isso vai direto para nossa rede de esgoto e para os oceanos, não tem qualquer chance de ser filtrada", explica.

Os microplásticos são resíduos provenientes da degradação de diversos tipos de plásticos. Eles têm menos de 5 milímetros de comprimento. O problema é tão grave que no Dia Mundial do Meio Ambiente do ano passado, comemorado no dia 5 de junho, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, chegou a dizer que que as partículas de microplásticos presentes no oceano superam o número de estrelas na nossa galáxia. "Nosso mundo está sendo inundado por resíduos plásticos prejudiciais", afirmou na ocasião. "Todos os anos, mais de 8 milhões de toneladas acabam nos oceanos", disse.

A Brilhow é uma das marcas que produz o glitter sustentável. Lilian Hill e Andressa Torres são biólogas e se conheceram no mestrado, quando faziam uma pesquisa voltada para biologia marinha e recifes de corais. O amor pelo Carnaval acabou gerando a ideia, no final de 2017, do glitter ecológico para ganhar um dinheiro extra durante a folia de 2018. "A gente já não usava glitter comum, começamos a pesquisar algumas receitas, fomos testando, até chegar na nossa", explica Lilian. A Brilhow trabalha com três tipos de glitter: a base de ágar-ágar, produto natural de algas marinhas, corante alimentício e mica (mineral natural); mica e farinha de arroz; e um terceiro, que não é produção própria, vem da Alemanha e é feito de celulose de eucalipto, corante cosmético e glicerina. Os preços variam de R$ 9 a R$ 20.

"É importante a gente levar essa consciência do uso de plástico, principalmente, porque plástico é um material que praticamente não se degrada na natureza", explica. "Ele demora muitos anos para se degradar e acaba entrando até no solo", alerta. A Brilhow estima já ter vendido dez mil unidades de glitter neste Carnaval.

Outra marca conhecida é a Pura Bioglitter. "A ideia veio quando eu descobri que o glitter era feito de plástico. Primeiro, eu fiquei sabendo dos microplásticos, o que estava acontecendo, como eles estavam parando nos oceanos e aí descobri que o glitter também era feito de plástico", explica a arquiteta Frances Sansão, fundadora da marca. "Eu sempre gostei muito de usar glitter e comecei a procurar uma alternativa biodegradável para mim", diz. Na época, eu não encontrei, só tinha visto uma fábrica em Londres. Comecei a fazer umas receitas caseiras até chegar nessa fórmula de ágar-ágar e mica". O que era um produto para consumo próprio acabou ganhando clientes.

Em 2017, nas vésperas do Carnaval, uma página foi lançada e uma série de encomendas foram feitas. "No ano seguinte, me estruturei melhor para conseguir fazer mais quantidade", mesmo assim a produção ficou aquém da demanda, porque ela é artesanal. Os valores variam de R$ 10 a R$ 40. Em 2018, a produção para o Carnaval foi de 10 quilos, nesse ano, vai ser de 50. "O Carnaval gera muita sujeira. A gente tem essa cultura de comprar coisa de plástico descartável. O glitter, em especial, é um lixo que a gente nem consegue jogar fora, porque fica na rua, nas pessoas e ele vai acabar parando nos oceanos", completa.

Fonte:

Mariana Mauro
Destak
26/02/2019